NOTÍCIASInteligência artificial exige novos cuidados legais das empresas
SET | 2026
Especialistas alertam para riscos no uso de dados, necessidade de regras internas e treinamento das equipes
O avanço da inteligência artificial no ambiente de trabalho vem acompanhado de novas responsabilidades para empresas de diferentes portes. O tema também ganha relevância para o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R), especialmente à medida que novas tecnologias passam a integrar processos técnicos, administrativos e de gestão.
A discussão está alinhada ao tema central do Mercofrio 2026, “AVAC-R Inteligente: IA, Eficiência e Qualidade do Ar para um Planeta Sustentável”. Realizado pela Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), o congresso ocorre até quinta-feira (17/09), no Centro de Eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre.
Na avaliação da advogada Renata Kretzmann, da Spillari Costa Advocacia, assessoria jurídica da ASBRAV, situações envolvendo o uso de ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da rotina empresarial. Entre os exemplos estão funcionários que inserem documentos, informações estratégicas ou dados pessoais em plataformas de IA sem que existam regras internas claras para esse tipo de utilização.
“A inteligência artificial está cada vez mais presente na atividade empresarial. Por isso, é necessário estabelecer uma governança, revisar cláusulas contratuais e definir de que maneira dados e informações da empresa podem ser utilizados nessas ferramentas”, afirma a advogada Renata Kretzmann.
Outro ponto de atenção envolve informações utilizadas fora do ambiente profissional ou levadas por colaboradores após o encerramento do vínculo com a empresa. Também fazem parte dessa discussão questões relacionadas à proteção de dados, à confidencialidade e às responsabilidades sobre o conteúdo inserido nessas plataformas.
Os cuidados não se restringem às grandes organizações. Empresas menores também devem se adequar e ter governança de privacidade e proteção de dados pessoais para corresponder às exigências de clientes, fornecedores e parceiros.
Para a advogada Simone Macedo, também da Spillari Costa Advocacia, criar políticas internas é apenas uma parte desse processo. É necessário garantir que as políticas e orientações sejam compreendidas e aplicadas pelas equipes.
“Uma política sem treinamento acaba sendo uma política vazia. É preciso que essas orientações sejam aplicadas diariamente, desde os executivos e gestores até quem está na operação. O treinamento é fundamental para que a governança de inteligência artificial realmente funcione dentro da empresa”, destaca a advogada Simone Macedo.
Mais informações sobre o Mercofrio 2026 podem ser obtidas em https://mercofrio.com.br/.
Redação: Marcelo Matusiak