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15 A 17 DE SETEMBRO DE 2026 Porto Alegre - RS

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SET | 2026

Respirar melhor em ambientes fechados é desafio técnico e de saúde

Mercofrio 2026 coloca em debate soluções para escolas, escritórios, hospitais e outros espaços de uso coletivo

A qualidade do ar em escolas, escritórios, hospitais e outros espaços fechados esteve entre os principais temas do segundo dia do Mercofrio 2026. Nesta quarta-feira, 16 de setembro, a programação reuniu especialistas para discutir monitoramento, tratamento do ar, fiscalização, manutenção e eficiência energética.

Realizado pela Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Aquecimento e Ventilação (ASBRAV), o congresso ocorre no Centro de Eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre. Nesta edição, o tema é “AVAC-R Inteligente: IA, Eficiência e Qualidade do Ar para um Planeta Sustentável”.

Entre os destaques da manhã esteve a palestra “Evolução de Sistema de Tratamento de Ar Flexível para Sala de Aula Modelo: Qualidade do Ar Interior em Sintonia com o AVAC-R Inteligente”. Antonio Luis de Campos Mariani apresentou o acompanhamento da qualidade do ar em salas de aula, com análise de temperatura, umidade, dióxido de carbono (CO₂), partículas, filtragem, pressurização e consumo de energia. Segundo Mariani, esse tipo de monitoramento também ajuda a orientar o uso correto dos sistemas de climatização.

“É pelo consumidor que a gente vai conseguir educar para o uso correto do ar-condicionado. Ainda existem muitas ideias equivocadas, como colocar qualquer temperatura ou imaginar que o ar não pode ter poluentes importantes. Isso precisa ser superado”, afirmou.

A estrutura utilizada permite acompanhar, em tempo real, as condições do ambiente e o funcionamento dos equipamentos, além de registrar o consumo energético dos principais componentes do sistema.

Controle da umidade

O controle da umidade também é importante para preservar sementes e alimentos armazenados por longos períodos. O tema foi apresentado por Fábio Clavijo, Distinguished Lecturer da American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers (ASHRAE).

“O controle da umidade é fundamental para preservar sementes e alimentos durante o armazenamento. Em grandes volumes, precisamos manter condições adequadas por meses para evitar deterioração e garantir que o produto chegue ao destino com suas características preservadas”, explicou.

Fiscalização e qualidade do ar

A programação também contou com o Encontro Técnico de Fiscalização em Qualidade do Ar Interior (QAI) e Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC). A atividade reuniu cerca de 40 técnicos das vigilâncias sanitárias de diferentes municípios para orientações sobre legislação e análise dos documentos exigidos para sistemas de climatização. Para o coordenador do Programa Qualindoor – Qualidade do Ar Interno da ABRAVA, Rafael Munhoz, um dos principais desafios está na aplicação das regras já existentes.

“Hoje temos no Brasil um conjunto bastante completo de leis e normas. O desafio maior está na aplicação e na fiscalização. A ideia deste treinamento é mostrar aos técnicos como interpretar os documentos e, principalmente, como verificar na prática se aquilo que a legislação determina está sendo cumprido”, explica Rafael Munhoz.

O biólogo e coordenador da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) de São Paulo, André Castilho, destacou a importância da qualificação dos profissionais responsáveis pela fiscalização.

“A qualidade do ar é algo que não enxergamos, mas que interfere diretamente na saúde. A fiscalização precisa verificar se os sistemas atendem aos requisitos de filtragem, renovação do ar e demais normas. É um trabalho muitas vezes invisível, mas essencialmente preventivo”, afirma o coordenador André Castilho.

Segundo ele, a prevenção também pode reduzir impactos sobre o Sistema Único de Saúde ao contribuir para ambientes mais saudáveis em escolas, locais de trabalho e hospitais.

Monitoramento ajuda a identificar falhas

Outro tema foi o uso de sistemas portáteis para medir a qualidade do ar. O pesquisador Marçal José Rodrigues Pires apresentou um trabalho mostrando como sensores, quando devidamente validados e calibrados, podem ajudar a identificar alterações e orientar correções.

Um dos estudos avaliou uma clínica de fisioterapia e pilates e apontou aumento dos níveis de dióxido de carbono ao longo do dia, relacionado à falta de renovação do ar no ambiente climatizado por sistema split.

“Fizemos o monitoramento durante alguns dias e verificamos um aumento significativo do teor de CO₂ ao longo do dia de trabalho. Como o sistema split não faz a renovação do ar, recomendamos modificações para melhorar essa condição”, explicou Marçal José Rodrigues Pires.

O trabalho também avaliou a presença de ozônio utilizado para desinfecção. Segundo o pesquisador, a prática exige cuidado, já que o ozônio, em determinadas concentrações, pode atuar como poluente e gerar subprodutos indesejados ao reagir com outras substâncias presentes no ambiente.

Além da Qualidade do Ar Interior, a programação desta quarta-feira reuniu palestras e trabalhos sobre inteligência artificial aplicada aos sistemas de Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Refrigeração (AVAC-R), eficiência energética, desumidificação, transição de fluidos refrigerantes, automação, comissionamento e descarbonização.

O Mercofrio 2026 ocorre de 15 a 17 de setembro, no Centro de Eventos do BarraShoppingSul, em Porto Alegre. Mais informações sobre a programação podem ser obtidas em https://mercofrio.com.br/.

Redação: Marcelo Matusiak

Foto: Marcelo Maia

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